Com 1,4% do PIB países em desenvolvimento podem reduzir gases de efeito estufa

Investir uma média de 1,4% do PIB anualmente poderia reduzir as emissões nos países em desenvolvimento em até 70% até 2050 e aumentar a resiliência, de acordo com um novo relatório do Grupo Banco Mundial, divulgado nesta semana, dias antes do início da COP 27, a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, a ser realizada de 6 a 18 de novembro de 2022 em Sharm El Sheikh, Egito.

A análise integra o relatório Clima e Desenvolvimento: Uma Agenda para Ação, que compila e harmoniza os resultados dos Relatórios de Clima e Desenvolvimento por País do Grupo Banco Mundial (leia aqui em inglês https://www.worldbank.org/en/publication/country-climate-development-reports) , abrangendo mais de 20 países que respondem por 34% das emissões mundiais de gases de efeito estufa (GEE).

O estudo mostra que as necessidades de investimento são marcadamente maiores em países de baixa renda que são mais vulneráveis ao risco climático, muitas vezes superiores a 5% do PIB. Esses países precisarão de quantias maiores de financiamento concessional e doações para gerenciar os impactos das mudanças climáticas e se desenvolver ao longo de um caminho de baixo carbono.

O relatório baseia-se na riqueza dos relatórios de cada país e destaca as lições par aos países sobre a integração dos objetivos climáticos e de desenvolvimento. O documento conclui que essa abordagem à ação climática pode ajudá-los a gerenciar os impactos negativos das mudanças climáticas, ao mesmo tempo em que gera impactos positivos no PIB e no crescimento econômico e fornece resultados críticos de desenvolvimento, como a redução da pobreza. As principais condições para o sucesso incluem reformas impactantes, melhor alocação de recursos públicos, maior mobilização de capital privado e apoio financeiro significativo da comunidade internacional.

“Atingir os objetivos climáticos deve andar de mãos dadas com o desenvolvimento. A ação climática é um bem público global fundamental, exigindo novos financiamentos significativos da comunidade global e mecanismos para influxos”, afirma o presidente do Grupo Banco Mundial, David Malpass. “Ações climáticas bem priorizadas e sequenciadas, forte participação do setor privado, apoio internacional substancial e uma transição justa são componentes críticos para o impacto”, finaliza.

O relatório também observa que, embora todos os países tenham que aumentar sua ação climática, os de alta renda com maior responsabilidade pelas emissões precisam liderar com uma descarbonização mais profunda e rápida, bem como maior apoio financeiro aos de baixa renda. Os principais emissores atuais e futuros do mundo em desenvolvimento também têm um papel fundamental a desempenhar para que o planeta alcance as metas do Acordo de Paris. O relatório também examina as tecnologias e inovações necessárias para a produção de eletricidade, aço, cimento e manufatura com menor intensidade de carbono e como o mundo construirá cadeias de suprimentos verdes e eficientes para um futuro sustentável.

Os Relatórios de Clima e Desenvolvimento do País combinam os melhores dados, modelos e ferramentas disponíveis e visam fornecer aos formuladores de políticas recomendações imediatas e acionáveis para orientar as decisões sobre clima e desenvolvimento hoje. São um elemento central do Plano de Ação para Mudanças Climáticas do Grupo Banco Mundial, que descreve como o GBM apoiará a ação climática nos países em desenvolvimento.

O Banco Mundial frisa que os países precisam priorizar e sequenciar os principais investimentos e reformas políticas, de acordo com o relatório. Estes trarão vários benefícios. E as reduções de emissões podem gerar resultados imediatos de desenvolvimento, como menor vulnerabilidade à volatilidade dos preços dos combustíveis fósseis, melhores balanças comerciais e maior segurança energética, melhor qualidade do ar e impactos positivos na saúde relacionados. A ação precoce também pode evitar o bloqueio de países em infraestruturas e sistemas de alta emissão, que serão caros ou até impossíveis de transformar no futuro.

Esta análise abrange mais de 20 países, incluindo: Argentina, Bangladesh, Burkina Faso, Camarões, Chade, China, Egito, Gana, Iraque, Jordânia, Cazaquistão, Malawi, Mali, Mauritânia, Marrocos, Nepal, Níger, Paquistão, Peru, Filipinas, Ruanda, África do Sul, Turquia e Vietnã. Os resultados dessas análises informarão os compromissos do Grupo Banco Mundial com clientes dos setores público e privado e alimentarão as estruturas de envolvimento do Grupo Banco Mundial e o portfólio operacional do próprio Grupo Banco Mundial.


Por Suely Melo - ABES-DN





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